Conheça a Trilha Ecológica Edela Toldo

Passear à beira de um rio 100% protegido por mata ciliar, sob os olhares de macacos e seguindo as pegadas de cachorros-do-mato, tatus e até de onça. Dizendo assim, a pessoa imagina que estamos falando do Pantanal, ou de algum recanto do Amazonas. Mas não, estamos falando da Trilha Interpretativa Edela Toldo, Fazenda Ipê, no Maracaju dos Gaúchos, a poucos quilômetros do centro de Guaíra.

A área de 57 hectares é hoje uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), que é quando o proprietário por sua iniciativa transforma, integral ou parcialmente, sua propriedade em uma unidade de conservação peremptoriamente. Para uma área se tornar RPPN, no entanto, ela deve possuir relevante importância pela sua biodiversidade, importância paisagística e características ambientais que justifiquem a sua recuperação. “Nem todas as áreas podem se tornar RPPN, existe uma avaliação técnica. Felizmente esta reúne todas as características. A reserva ficou intacta graças à atitude da dona Êdela Toldo, que quando jovem impediu o desmatamento por completo da fazenda onde seu marido plantou e colheu por anos”, explica Luiz Vieira, servidor do Departamento de Meio Ambiente.

Dona Êdela hoje vive na cidade, não possui mais a propriedade, mas teve sua atitude reconhecida pelo poder público, que batizou a trilha com seu nome.

Luiz e a assessora de Meio Ambiente Aline Priscila de Souza são os responsáveis pelo agendamento das visitas guiadas até a trilha, um refúgio biológico em meio às vastas plantações de grãos da região.

“Não conhecia, gostei muito. Aprendemos muito sobre consciência ambiental e num lugar que é exemplo”, afirmou Gabriela dos Santos, 15 anos, estudante do Colégio Estadual Presidente Roosevelt.

Na caminhada de mil metros pela mata fechada, placas destacam espécies da Mata Atlântica e árvores com madeiras cobiçadas na indústria da construção. São guatambus, canjaranas, jequitibás, guajuviras e ipês, entre tantas outras espécies que verdejam e refrescam a vereda.

O fim da trilha arrebata os olhos. Além da música do rio Birigui em seu curso tortuoso em meio às pedras, uma nascente esplende protegida. Sobre a ponte de madeira, os olhares diante do novo. Flashes, câmeras, celulares. Ação: Os olhos dão lugar aos ouvidos. E vem mais informação por aí: “O rio Birigui é o quarto maior rio em vazão no município. Ele deságua no rio Taturi, o maior, que, por sua vez, deságua no Paranazão”, explica Luiz, que é biólogo por formação acadêmica.

Aline, do outro lado da ponte, revela o trabalho realizado pela Itaipu para proteger a nascente. Ela ressalta: Muitas minas d’água, córregos e rios tornam Guaíra uma cidade rica em recursos hídricos. “Precisamos valorizar estes nossos tesouros. Este trabalho de recuperação garante que a água seja sempre um recurso abundante para nós”, assegura.

Para finalizar, nada melhor que provar a água direto da fonte. Água diferente, pura. O famoso slogan de uma marca de cerveja parece fazer muito mais sentido quando encontramos água in natura: “desce redondo”.

Antes da despedida, uma conversa sobre as ruínas de uma área de lazer da antiga fazenda dos Toldo. Os esqueletos de uma churrasqueira e de um forno insinuam antigas festas e aquecem a imaginação: Muitos risos talvez ainda ecoem nas memórias de quem já passou por lá; a região já contou com a presença de mais de 350 famílias.

O êxodo rural mudou essa realidade (“Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera”). A atitude de preservar este pequenino santuário ecológico também.

Hoje a festa é da natureza.

 

Por Cristian Aguazo